Palavras

Quem sabe um dia eu consiga te dizer algo que você realmente nunca ouviu, acho difícil, mas tentarei a exaustão te mostrar em palavras o quão apaixonante é salpicar esse pedaço de papel de letras que podem encantar ou chatear, mostrar ou esconder, bajular ou criticar, mas que de uma forma ou de outra põe nossos sentimentos a baila, enche nossas vidas de questionamentos, de ponderações e nos fazem tomar atitudes, nos fazem mudar de rumo ou até nos posicionarmos definitivamente sobre algo que deixamos passar ou que nunca sequer pensamos na hipótese de ter uma saída. Pequenas palavras de grandes proporções. E olha que elas nos atingem tão profundamente que chegam a doer sempre que expressam carinho, amor e atenção ou que nos enchem de raiva quando demonstram hipocrisia, demagogia ou desprezo. Com as palavras nos tornamos amigos e inimigos, parceiros ou concorrentes, gênios ou doidos, por que o efeito delas é sempre surpreendente. Você já deve ter ouvido dizer que a palavra tem poder e tem mesmo. Elas atraem para nós tudo aquilo que empreendemos de energia para dizê-las, por isso tenha cuidado para não exagerar na dose é jogar uma praga em alguém e sempre extrapole para bem dizer e abençoar as pessoas. Mas lembre-se sempre que dizer a verdade não é praguejar e sim construir acidamente, pois às vezes é necessário cutucar a onça com vara curta, se ela avançar é por que você acertou em cheio na cutucada. Muito embora certas pessoas pareçam ser inatingíveis podes ter certeza de que não o são, as fachadas podem não transparecer, mas o ego fica bem dolorido e as que costumam ficar caladas, com certeza, estarão pensando no que você disse, portanto não existe a tal palavra jogada ao léo, em vão ou ao vento, tudo frutifica, só precisa ser canalizado para o bem. Quanto a mim continuo com meu cântico lento, minhas criticas do cotidiano, uma maneira sutil de chamar sua atenção para a vida, mesmo que não seja a vida que você pediu a Deus, ou a que você sonhou e nem mesmo tenha o glamour que você um dia desejou, mas que com o carinho e a atenção desse seu amigo aqui eu consiga te levantar o astral, te fazer sorrir brincando ou te puxando a sua orelha de longe, levando ou dando algumas porradinhas na cabeça, ou te enchouriçando os picuás pra tentar te motivar ou abrir os olhos. Por fim que minhas palavras como tantas outras possam ser ouvidas, lidas e assistidas por um numero cada vez maior de pessoas, só assim para se fazer grandes histórias e grandes amigos.

 

E.Batbuta  29/05/2012

Pecado

O que é pecado? Você sabe me dizer o que é com todas as letras, pingos, vírgulas e tios. Pecado é uma coisa que inventaram para refrear nosso ímpeto varonil, os nossos arroubos d’alma, nossos surtos e desvarios momentâneos, mas então existe o tal do pecado? Sim, ele existe, existe no medo de sermos o que não gostaríamos que os outros vissem como enganoso, depravado, pervertido e safado em nós. Aí sofremos ou não, nos bloqueamos ou não, nos comportamos ou não para mostrarmos ou não que somos bons, honestos e puros como os anjinhos de aureolas que não vemos ao redor. Na verdade e se pensarmos bem esse mundo seria uma tremenda putaria se não houvesse pecado, seria uma anarquia ampla, geral e irrestrita, aí me perguntaram e matar ou roubar não é pecado? E eu respondo: Não, é crime. Pecado é desfrutar da mulher do vizinho, mas se ela quis o que se há de fazer e se foi consentido não é mais pecado, é tesão. Inveja é pecado, também não, é mais fraqueza de personalidade e falta de força e tenacidade para se conquistar algo, mas a competição gera a mentira e a mentira é pecado, não, mentir é a opção dos fracos para fugir de suas responsabilidades, pra negar seus defeitos e encobrir suas burrices. Deus não ama os pecadores, também não creio nisso, muitos personagens da bíblia que foram sacanas, assassinos e usurpadores foram homens de Deus, Salomão, Davi, e alguns dos apóstolos que foram homens de pouca fé em alguns momentos de sua peregrinação ao lado de Cristo, que nessa historia toda é o único bom, justo e fiel. Viadagem e lesbianismo são pecados? Não e nem doença é, é opção e opção se faz por influencias, por má educação, mas como a opção é uma coisa inerente ao homem, que cada um cuida da sua, mas não impinja ao outro. Legal, então se não existe pecado por que não aproveitamos o momento e coloquemos mãos a obra na perda de tempo que acumulamos até aqui e vamos que vamos atrás daquilo que não fizemos ainda. Não fazemos por que, graças a Deus nos amamos e cuidamos de nós, passamos nossas vontades, mas somos firmes em nossas atitudes. Porém se seu coração disser vai, vai correndo, por que a vida passa, o tempo destrói o corpo e a alma, e não há pena no seu tiquetaquear, nem dó no desconsolo do arrependimento. Creia no que você quiser, mas creia fundamentalmente na sua liberdade de se expressar e de se doar e de dividir as benesses do coração humano, sim, por que enquanto formos humanos, seremos pecadores, como disse Paulo, o apostolo.

 

E.Batbuta  22/05/2012

As travas que nos paralisam

Toda a minha vida eu pensei que poderia ser livre e viver minha vida de forma independente e da maneira que quisesse, muitas águas passaram por baixo dessa ponte, muita conversa fiada jogada fora, muita lábia pra me safar e ser muito safado, muita aventura, muitas mulheres, eu consegui escapar dos vícios, afinal não bebo, não fumo e nunca usei drogas, pelo menos isso, não é mesmo?  Mas aí vem a pergunta fatal, sou livre mesmo? Não tenho amarras de verdade? Acho que não é bem assim e você que me lê, apesar de todas as suas defesas estarem entrando em posição de resguardo nesse instante, analise friamente essa questão tão perturbadora e que permeia nosso viver. Eu tenho desejos e vontades que jamais irei realizar quiçá por todo o tempo que viverei aqui. Quantas vezes meus sentimentos colidem com minhas palavras mais bem colocadas, é tão inexprimível o que eu quero mostrar quanto um leão desdentado querer morder um pedaço de carne. As pessoas tem o péssimo habito de entender o que não se diz, ou de torcer o que se disse, de pensar que isso ou aquilo é pra elas, muito pior são as pessoas que não expõe seus verdadeiros sentimentos, que tem medo de dar a cara a tapa, que querem, mas se envergonham de si mesmas por pura baixa auto estima e ainda aquelas que acham que fazendo um certo joguinho de gato e rato e creem veementemente que estão por cima e um passo a frente dos outros. Horrível e se sentir impotente diante dos desmazelos, cotovelites e desculpas esfarrapadas que se dão aos montes para fugir de uma situação que poderia no mínimo ser surpreendente. Quantas vezes perdemos o melhor por simples pressuposição, por não querer correr o risco, como disse uma amiga há alguns dias atrás, trocar um erro por outro, mas será mesmo um erro ou o erro já foi cometido de maneira cega e imbecil. Algumas coisas são inconcebíveis, falasse tanto na terapia do abraço, do beijo, do elogio e quando nos deparamos uns com os outros tudo isso vai por água abaixo, parece que existe um medo transcendental ao toque humano, ao calor da aproximação dos corpos, ao contato mais de pele onde se cheira, se sente com o tato e se prova com um beijo o sabor da pele, de estar partilhando um momento intimo e agradável, afinal não é só a penetração do ato sexual que é um ato intimo. Por isso digo que muitas coisas simples e muitas outras mais complicadas não se realizarão em minha vida. Os nossos olhos podem definir o bonito do feio, mas quem decide o que é realmente bonito ou feio é o que vai dentro do coração das pessoas e a que torna uma pessoa atraente é o despojo dos preconceitos e tabus que se impregna em cada um de nós com o passar do tempo. Todos os rótulos que colocamos afastam de nós as melhores essências e néctares que poderíamos provar. Portanto tato eu quanto você não saberemos no final das contas o que realmente perdemos por não nos termos dado ao desfrute.

 

E.Batbuta  19/05/2012

O amor e o jeito de amar

Como é difícil conciliar o amor com o jeito de amar e não há como mudar isso, cada pessoa ama de uma forma ou pelo menos crê que amar é daquele jeito. De um jeito ou de outro sempre existirão os buracos negros nessa condição de exposição dos sentimentos, por que cada um de nós pinta essa aquarela de forma diferente. Uns são extremamente melosos, outras são de meias palavras pra meias adivinhações, outros são totalmente explícitos como um livro aberto, outros ainda são acabrunhados e tímidos e dificilmente se dão ao ponto de se mostrar efetivamente, existem os difíceis e os fáceis demais, os deslumbrados e os sacanas que não deveriam se encaixar no rol acima, pela falta de escrúpulos e vergonha na cara, mas enfim, é o seu jeito de amar. O que destoa nisso tudo é que não permitimos ao outro ser como ele verdadeiramente é, perceba o quanto tentamos mudar nosso parceiro em prol da nossa sardinha, afinal se não houver brasa pra assa-la como faremos pra comê-la, não é mesmo? Ainda por cima existem os mal-amados, os abandonados e os fascinados por amores antigos, os que aceitam a volta daqueles que os abandonaram por aventuras e os que não viveram bem suas aventuras por falta de experiência. Saudade é bom e não mata, o que mata é a frustração de quem não consegue digerir as perdas, principalmente os que idealizaram ou fizeram juras ou ainda grande promessas de um dia… Vai que. Aqueles que se deleitam em dizer: se eu quisesse…teria me casado bem, namorado bem, afinal as gatinhas…os gatinhos…estavam todos aos meus pés. Será? Se alguém nos deixou ou não nos deu o valor devido pode ter certeza que isso só aconteceu por que tentamos mudar o que não era pra ser mudado, tentamos podar os galhos onde as frutas nasceriam, exigimos o inconcebível, bloqueamos o imprescindível e ainda achamos que estávamos certos e que faríamos tudo de novo. Infelizmente ou deveria dizer felizmente a natureza do homem (mulher) é livre, a alma é solta e a busca é frenética e o corpo freme, geme, enlouquece quando nos tentam algemar, amordaçar ou nos tirar o docinho da boca, aí choramos e esperneamos e lutamos pelo nosso próprio bem e felicidade, afinal pra que viver ao lado de quem nos quer por uma coleira e ditar suas regrinhas, senta, deita, finge de morto, nada disso é bom. Bom mesmo é descobrir que somos nós e nos gostamos como somos e nos dá prazer viver a nossa maneira, é nobre, delicado, suave e é bom estar embevecido desse néctar delicioso com que a vida nos brinda. Amar é deixar viver, é ser amado de maneira divertida, às vezes até boba, como os adolescentes fazem, é sentir o peito apertado de gozo, é doar-se sem temer, é participar sem aguerrir ou defender pontos de vistas egoístas, amar é tudo e tudo é amor se nós deixarmos rolar.

 

E.Batbuta  17/05/2012

Em caso de dúvida, apague.

Dizem as más línguas que não existe amizade entre homem e mulher, que tudo é um jogo de sedução, de caça e que nenhum homem presta e ainda que hoje as mulheres estão muito soltinhas. Eu não concordo. Sabe por quê? Apesar de todos esses sortilégios jogados ao vento terem sua pá de razões verdadeiras eu ainda acho que pra haver uma ligação entre homem e mulher tem que ter antes de tudo sintonia, empatia e acima de tudo confiança, coisa que na internet é raríssimo. Como eu já disse inúmeras vezes por trás de cada perfil se esconde um gordinho, careca, banguela e que aprendeu a usar o corretor ortográfico do Windows pra não dar vexame e mais cedo ou mais tarde irá mostrar sua verdadeira face, exatamente aquela que você jamais esperaria ver na sua frente. Ainda por cima e além da seletividade de biótipo existem características difíceis de manter como educação, cortesia, respeito e privacidade. Não digo que homens casados são segurança destas características e nem que as mulheres estão a salvo desses senhores, porém digo também que ser casado não invalida a possibilidade de ser angariar uma excelente amizade. Se formos pautar nossas amizades pelo sexo, aventura e sofreguidão estaremos, sem duvida, fadados a não termos amizades duradouras em hipótese alguma, pois isso seria frívolo demais, imagine uns três meses de pura tietagem pra não se ter nada além disso. Existe, porém, um lado interessante nessa historia que é a possibilidade de se sentir um adolescente novamente, namorar, elogiar, cultivar bons hábitos e se apaixonar virtualmente pelas pessoas, sejam elas verdadeiras ou não, é um teste bom para quem tem baixa estima. Todos nós gostamos de nos sentir amados e queridos, de sermos elogiados e paparicados, de ouvir vez por outra uma sandice eficaz ao nosso ego adormecido e acho isso bom, massagear o ego é imprescindível. E ainda tem a parte da aventura, do risco, da adrenalina, parece incrível, mas funciona realmente. Não quero dizer com isso que se deve perder a noção do perigo e do risco, pois os sentimentos negativos por parte de quem verdadeiramente nos ama podem aflorar-se num ciúmes amargo ou na insegurança de uma eminente perda. Para todos os fins e efeitos é necessário manter-se a verdade sempre clara em termos de relacionamentos mesmo quando o dito cujo anda capengando, afinal ninguém por mais demente que seja irá aceitar uma traição mesmo que virtual o que na minha modesta opinião é pura balela. E aqui é bom deixar claro que sobre essa terra de meu Deus não há e nunca haverá uma pessoa que não tenha sido ou venha a ser traída de alguma forma e é bem por causa disso que criamos barreiras para que boas e duradouras amizades aconteçam, por medo do abstrato e do invisível. E as perguntas serão sempre capciosas, as acusações infundadas que poderão ser usadas contra você a qualquer tempo, mesmo que não haja nenhuma conotação explicita da ação. Mesmo assim quem não arrisca não petisca e muitas vezes por obra do conservadorismo atravessaremos desertos imensos e lutaremos titanicamente para provar que não somos essas bestas desvairadas que estão numa arena para literalmente se comerem até sobrar só o molhadinho no chão. Abram-se aspas nem todos fechem-se aspas. Que venham os touros, mas em forma de bifes. Sou casado, adoro conversar com mulheres e se fosse o contrario um ninho de pulgas se formaria atrás de sua orelha, homens não tem assunto, só pensam naquilo todo o tempo e entre nós essa conversa não rola a não ser pra contar vantagem o que os inteligentes não fazem, adoro um rosto bonito, mas adoro mais ainda pessoas inteligentes e que não sejam demagogas e nem hipócritas e se passar balançando o bumbum eu vou olhar por que é da nossa natureza e isso não quer dizer que eu não ame minha esposa ou ainda que eu esteja traindo sua confiança. O grande problema nos relacionamentos é que achamos que podemos amarrar o outro ao pé da mesa e ai a porca torce o rabo, além de que depois de certo tempo de relacionamento nos achamos donos e proprietários de uma mercadoria que é no mínimo volátil e suscetível ao fogo, interno, é óbvio. Portanto não perca o sono se você é honesto e divirta-se fazendo boas amizades. Em caso de duvida, apague como mandar seu coração.

 

E.Batbuta  13/05/2012

Areia entre os dedos

Vem cá, senta aqui comigo, olha o céu, imagine-se numa noite estrelada, clara, com lua cheia, um véu negro salpicado pelos brilhos distantes dessas fontes de calor que povoam nossa imaginação, quantos desejos traz uma estrela cadente, quem não buscaria uma delas para o seu amor, quem não enxerga algumas pessoas nelas seja por algum dom ou um semblante carismático. O infinito aberto aos olhos se perde ao longe e ao longe voa o pensamento. Somos nossos sonhos, desejos, vontades, somos seres em busca de luzes imaginárias como o amor, a amizade, a cumplicidade, somos passantes e buscadores que vieram de longe e procuram o caminho de volta. Perdemos tempo deixando o tempo passar adiando sempre as possibilidades de sermos felizes já. E esse tempo que só anda para frente e não para vai se desfazendo, se diluindo e como areia entre os dedos vai escorrendo para fora de nós e se misturando aos elementos que nos cercam, a vida é essa pequena coisa finita que nos obceca e ao mesmo tempo nos frustra, um tempo sem medida correta e que pode acabar de uma hora para outra. E o que fazer? Com quem fazer, por que e onde? Saboreamos o vento que nos bate na face e a luz do sol que nos acalora o rosto sem ter a noção correta da sua sublimidade, tanto quanto é sublime o sentimento de leveza e gozo por essa vida curtinha que deixará saudades a alguém ou pela qual teremos saudades pra qualquer lugar que venhamos a habitar depois. Então percebe o que está  ao redor e se deleite com a beleza que te cerca, toque e sinta, veja e se admire, ouça e se encante, prove e se delicie, ame e se divida, abrace, beije, roce, compartilhe, assuma a parte que te foi dada de graça. Amanhã, não sei. Haverá amanhã? Quem te garante, quem me garante? E se houver o que me restara amanhã além do céu que compartilhei contigo numa noite estrelada e de lua cheia que talvez não venha a se repetir nunca mais do jeito que foi hoje.

 

E.Batbuta  08/05/2012

Janelinhas

Daqui da minha janelinha vejo o teu mundo passar e numa imagem impressa você me olha e não me vê, sorri um sorriso estampado e bonito de se ver, mas muitas vezes por trás do sorriso se esconde a pessoa que eu não vejo e nem sequer conheço muito. Mas é bonito ver-te desse jeito, é bom ler-te nas entrelinhas e melhor ainda imaginar-te de verdade, sem medo ou frustração, pois você só existe na imagem virtual que vejo e não na presença física, o que em certos momentos nos deixa seguros em outros nos deixa tristes por não podermos compartilhar esses sorrisos impressos ao vivo, por não podermos dar nosso calor e afeto de uma forma mais expressiva. Mas pouco importa, pois podemos ao menos escrever algumas singelas linhas de um assunto curto e sem grandes ligações que começa com algumas frases de cumprimento e saudações e se desvanece ao poucos na falta do que falar e termina numa  desculpa boba pra sair, afinal conversar com estranhos é bem estranho, mesmo que o estranho seja seu amigo ou seu fã, por que é difícil cruzar os interesses reais de cada um, nos dispomos a ser bons ouvintes, bons ombros, e eloquentes trocadores de mensagens, prestamos uma atenção danada ao assunto mesmo que seja desinteressante, quebramos o gelo devagarzinho e de repente vou sair pra fazer alguma coisa, será? Por que é que a vida é assim, um circulo sem fim que de vícios e desagravos  nos tange de forma sinistra e nos larga numa esquina escura ou num beco sem saída? Mas de qualquer forma da minha janelinha protegida eu ainda te vejo apesar de não te encontrar e de repente muito tímida (o) você reaparece com um solerte oi. Somos prisioneiros de nossas vidas e de todas as vidas que nos circundam, os perigos de perder e achar no meio dos bites alguém interessante e intrigante, instigante e provocante, insinuante e envolvente arrebatam nossos mais intensos sonhos daquilo que nunca acharemos: a perfeição. Pior ainda são os males entendidos, as luvas de pelica e as mascaras. Ahh!!!  As mascaras que nos afastam ainda mais dos pessoais e verdadeiros sentimentos, que criam monstruosas barreiras que aos poucos se tornam intransponíveis. Somos egocêntricos, ego maníacos, ego orgásticos, emocionalmente instáveis em busca das bengalas que possam nos suportar. E ainda assim, por trás dessa janelinha, consigo te contar historias incríveis, te mostrar minha vida, escrever poemas e criticas e tentar ao menos ser gentil e educado para não melindrar teus anseios baseados no que desenhaste em ti de mim.

 

E.Batbuta   07/05/2012

O que é o suficiente

Você sabe o que me basta?

O que é o suficiente para mim, o que me enche, completa, você sabe?

Você imagina o que eu espero receber de você, surpreenda-me então.

O quanto me basta de amor, de amar, o quanto me basta de colo e de conforto.

O que eu sonho de você, por você e com você, você seria essa intensidade, essa eletricidade que me choca e ao mesmo tempo me frustra pela inércia de suas ações, pelos medos de atitudes mais drásticas, mais emotivas e de longa duração, por que você se fecha nessa casca, nessa concha hermeticamente trancada e protegida.

Uma explosão de sentimentos seria bem vinda, então me chacoalha, me vira no avesso, me tenta e me arrebenta de uma forma mansa e terna, me abraça, me envolve e me dissolve na tua poção mágica de amor.

Eu te vejo em meus pensamentos e te toco puerilmente, a inocência do momento equivale a estar no céu entre nuvens de algodão.

Do que eu preciso é muito impreciso, pode ser lento e profundo ou raso e drástico, mas tem de ser completo e vir de você, tem que ser arrebatador e indolor, abrasador e agonizante de um prazer intenso, tem quer ser largo e denso.

Seria isso o que me bastaria?

Ou ainda seria inóspito e insólito o patamar deste sentimento, uma busca desvairada por fugacidades e quimeras, amar dói não a dor sentida na pele, dói a dor sentida na alma, dor que se arrasta na incompreensão do não havido e do não recebido.

Uma imagem fria, uma letra morta, um pingo no oceano, uma tempestade num copo d’água, seria isso o que me bastaria?

Ou tudo isso seria a reticente distancia de você e a falta de mãos para poder te alcançar do modo que eu sempre quis.

 

E.Batbuta  04/05/2012

Sentimentos passageiros

Não tenho maiores expectativas em relação às pessoas, todas são e estão felizes, o mundo gira e os problemas se resolvem a medida do possível, assim é a vida do homem, enfrentando suas tempestades e curtindo suas bonanças, todos amamos e dividimos esse amor seja com quem for a bola da vez, afinal não estamos preparados para a tal solidão, mas nossas escolhas ainda são fugazes e tênues, as linhas que nos separam da certeza são como pequenas teias de aranha, aparentemente frágeis mas mortalmente entrelaçadas. Confiar sempre na certeza de não errar e desculpar as pequenas mentiras que nos envolvem e nos protegem de quem verdadeiramente somos e aceitar as diferenças e as dúvidas como fardos necessários, ninguém é perfeito. Sem reclamações seguimos admitindo que nossos erros nos reparam e nos preparam para danos maiores, se bem que não nos acostumaremos nunca com isso. Prometemos e não cumprimos, marcamos e não comparecemos, dizemos e não fazemos, o que nos impede de viver é a falta de atrevimento, um atrevimento de querer experimentar sem poder, de tocar sem perceber , de sonhar e sorrir despreocupadamente sabendo que é apenas sonho, de perder o que nunca se buscou a não ser a vida que passa e se esvai entre os dedos, um tempo que nos parece infindável na mente e vai se corroendo pelo corpo e pelos pensamentos, somos tolos, inseguros e sem sombra de dúvida incrédulos, pois perdemos muito tempo imaginando e toda uma vida deixando as oportunidades passarem, temos medos, medo do improvável, medo do certeiro, medo do caseiro, medo do inefável, medo do inevitável, queremos por que queremos e sofremos por que não nos satisfazemos, you can’t Always get what you want (Rolling stones) e I can’t get no satisfaction (Rolling stones) parecem ser duas reais realidades humanas. “Quando te vejo aí toda desmilinguida, na sofreguidão da tua vida, sei que tua alma chora, por que não tens encontrado em seus sentimentos os respaldos necessários para alicerçar seu amor, não por que não o tenhas, mas por que não o sentes.”

 

E.Batbuta    01/05/2012

Era uma vez…

Houve um tempo em que tudo era divertido, tudo era bom demais pra ser verdade, tempo em que o dinheiro era curto, mas não fazia falta pras farras e zoeiras que aprontávamos, não sei se as línguas eram menos ferinas ou se a depravação explicita era bem menor, só sei dizer que vivíamos e deixávamos viver, amizade tinha sentido, a libido vivia em alta, as sensações eram abrasadoras e extenuantes e ainda por cima valia muito a pena. Tudo era mais penoso de se conquistar, pois havia ainda um véu de macula que cercava as donzelas, não que fosse muito diferente de hoje, mas era mais trabalhoso e custava um bom jantar, um cineminha, algumas flores com cartões e depois acabava da mesma forma de sempre, na cama. Só que haviam pequenas diferenças, pois nem sempre o final era a cama, muitas vezes um bom papo que adentrava a madrugada, alguns boas histórias de vida, viagens de mochileiros e campings selvagens, barcos e rios, bikes e trails, alguns não bebiam e ficavam para levar os tronchos de bêbados e muita conversa de bêbado pra ouvir. Curtir um som em silencio recostado no ombro da namorada, beijos suaves, carinhos e conversa ao pé do ouvido, o friozinho na barriga, a duvida da margarida desfolhada, bem-me-quer ou malmequer, joguinho da verdade onde o que menos valia era a verdade, os olhares trocados pelos segredos guardados, a dança de rosto colado e corações apertados e próximos e depois esperar um telefonema, um encontro no ônibus ou um próximo final de semana, era boa a vida e não nos cobrava performances ou acrobacias pois o que valia mesmo era uma boa sintonia e uma agradável companhia. Bons tempos aqueles, pena que não voltam mais.

 

E.Batbuta  26/04/2012

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